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Publicado em 15/12/2018 - 7:57 am em | 0 comentários

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Premiada ferramenta digital que mapeia acidentes na construção civil

Tecnologia inserida no contexto de ações conectadas ao SESI Viva+

Premiada ferramenta digital que mapeia acidentes na construção civil

Plataforma criada pelo Centro de Inovação em Tecnologias para a Saúde do Serviço Social da Indústria (SESI) recebeu, em Brasília, o Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade. Chamada SEIF (sigla para Segurança, Informação e Formação), a ferramenta digital foi construída em cima de inteligência artificial para monitorar em tempo real os riscos de acidentes dentro da construção civil. A tecnologia é composta por sensores embutidos nos capacetes dos funcionários e está inserida no contexto de ações e iniciativas conectadas ao SESI Viva+.

O segmento da Construção de Edifícios apresentou o maior número de casos de invalidez permanente no último ano, com 364 registros. Os dados apresentados no Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, da Previdência, revelam os riscos de acidentes dentro da construção civil. A expectativa é que ações e ferramentas como a SEIF mudem essa realidade. Em Santa Catarina, uma empresa já está testando o projeto, na construção do maior edifício da América Latina: duas torres de 280 metros em Balneário Camboriú. O complexo residencial terá 81 andares e será concluído em 2020.

A ferramenta tem um objetivo principal: reforçar a gestão presencial de técnicos de segurança do trabalho. Contribui para atender aspectos legais de segurança e saúde no trabalho, mapeia o comportamento dos trabalhadores na obra e, em caso de irregularidades, verifica a necessidade de treinamentos. As informações captadas são enviadas a um aplicativo acessível aos gestores de segurança e saúde da empresa para a tomada de decisão em tempo real. Entre os riscos avaliados pela tecnologia está a entrada de empregados não-autorizados em áreas de serra e vergalhões.

Pesquisadora no Centro de Inovação do SESI em Tecnologias para a Saúde de Santa Catarina, Juliana Teixeira, explica que a ferramenta surgiu no fim de 2016, com foco na construção, frente ao elevado número de acidentes no setor e os índices de ações junto à Justiça do Trabalho: “O princípio da nossa solução é que o trabalhador comece a entender os riscos que tem no ambiente de trabalho e comece a cuidar da sua própria segurança”.

A pesquisadora conta ainda que a ferramenta possui três modelos de atuação: o módulo regulatório, com inspeções, check-lists, tudo para saber em que nível a empresa está em oferta de segurança no ambiente de trabalho. No final desse módulo, recebe um relatório monetizado mostrando quais multas estaria correndo o risco de receber por conta das falhas e um ponto a ponto de soluções. No segundo módulo, o de informações, a empresa cadastra informações dos trabalhadores, como atestado e entrega de equipamento de proteção individual; e forma um banco de dados.

O último módulo, de comportamento, é a junção dos dois outros módulos, mais os softwares para fazer a gestão de risco: “Essa mudança de cultura, de comportamento no canteiro de obra, não é só importante para o trabalhador, mas também para a empresa que terá mão de obra mais qualificada e com uma cultura de comportamento seguro incorporada nesse canteiro, auxiliando nesse processo de competitividade, uma vez que você tem um trabalhador mais saudável, você tem um trabalhador mais produtivo e, consequentemente, toda essa parte de gestão da informação, traz uma segurança financeira para a empresa”.

Projetos tecnológicos, como a plataforma SEIF, são desenvolvidos nos oito Centros de Inovação implantados pelo SESI. Pesquisa realizada pela entidade mostra que, para 76,4% dos gestores, a importância dada pela indústria brasileira ao tema crescerá nos próximos cinco anos. O Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade foi uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da (Comat), com co-organização do Senai Nacional; e foi realizado na terça-feira (11). A iniciativa tem o objetivo de reconhecer, premiar e divulgar soluções relacionadas à tecnologia e gestão de produção em construção civil, com foco em sustentabilidade dos empreendimentos.

O SESI Viva+ chega para atender as demandas da indústria brasileira quanto as necessidades de administrar de forma mais eficiente a qualidade de vida dos trabalhadores. Por meio da plataforma, que concentra a gestão da saúde dos trabalhadores em um único ambiente virtual, os gestores podem compilar dados, juntar informações sobre a saúde de todos os funcionários de diversos setores. Essas informações, agrupadas de forma qualificada e estruturada, possibilita uma análise clara de como anda a saúde dos trabalhadores. É possível, por exemplo, gerar estudos epidemiológicos para apoiar as indústrias na redução de riscos legais, na redução de custos com afastamentos, na prevenção de acidentes e aumento da produtividade no trabalho.

Os funcionários também têm acesso à plataforma. Podem consultar informações sobre seus dados de saúde e receber alertas como os que avisam que algum exame periódico está vencido. A ferramenta apoia ainda as empresas nos atendimentos às questões relativas à Segurança e Saúde do Trabalho (SST) no eSocial – sistema que comunica ao governo, de forma unificada, informações sobre saúde e segurança dos trabalhadores. O SESI fornecerá às empresas um sistema com todos programas legais dentro do parâmetro exigido pelo eSocial, levando em consideração higiene ocupacional, ergonomia e análise de riscos.

Segundo Emmanuel Lacerda, gerente-executivo de Saúde e Segurança na Indústria do SESI Nacional, o maior impacto esperado com o SESI Viva+ é a redução de afastamentos por acidente ou doença no trabalho. “O trabalhador que não se afasta impacta na produtividade das empresas. O trabalhador que tem melhor saúde, melhor integridade física tem, obviamente, melhor requisito de produtividade no seu trabalho”, justifica.

Pesquisa feita pelo SESI mostra que 71,6% das indústrias estão dando prioridade à gestão de segurança e saúde dos trabalhadores. Entre os entrevistados, 76,4% acreditam que o nível de atenção da indústria brasileira com o tema deve aumentar nos próximos anos.

A prevenção de riscos é um importante aliado na hora de reduzir os acidentes e doenças do trabalho. Em 2017, foram registrados 549.405 acidentes de trabalho em todo o Brasil. Esse número representa uma queda de 6,19% em relação a 2016, com 585.626 registros. Os dados estão no Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho (AEAT 2017). O Anuário também mostra redução do número de mortes causadas por acidente do trabalho. Os registros passaram de 2.288, em 2016, para 2.096 no ano seguinte. Isso representa uma diminuição de 8,4%. Também houve queda de 15,5% na quantidade de trabalhadores que ficaram incapacitados permanentemente em decorrência de um acidente do trabalho – de 14.892, em 2016, para 12.651, em 2017.