Edição 308Setembro 2020
Quinta, 22 De Outubro De 2020
Editorias

Publicado em 10/07/2020 - 7:17 am em | 0 comentários

Divulgação

Excesso de videoconferência pode levar à exaustão mental

Pessoas podem desenvolver o zoom fatigue

Excesso de videoconferência pode levar à exaustão mental

Após uma sucessão de reuniões diante de uma tela, em face ao isolamento social, o cérebro revela uma fadiga que pode provocar exaustão mental, o chamado zoom fatigue. O desgaste pode ser ainda maior mesmo não havendo o deslocamento da residência até o local, que poderia gerar um certo consumo físico. O esgotamento provocado pelo aumento de estímulos gerados por uma tela de computador faz com que o cérebro gaste muito mais energia para fazer a captação e interpretação de tudo que é necessário durante os encontros virtuais.

Segundo o coordenador do curso de Psicologia da Universidade Univeritas, André Novaes, o ser social acostumado com a interação presencial, quando realiza uma reunião ou tem encontro com alguém, não observa apenas a fala ou tom de voz da pessoa, mas naturalmente o cérebro faz toda uma leitura de comportamentos não verbais, respiração, olhares e até mesmo linguagem corporal, fatores que facilitam a vivência e compreensão com um gasto energético menor. Por outro lado, com a ausência desta possibilidade de leitura, aumenta o esforço do cérebro para decodificar tudo que pode haver num contato gerado por uma reunião.

“Quando falamos de sensação e percepção é importante ressaltar que cada pessoa terá uma forma de processamento das informações e estímulos as quais é exposta”, afirma André: “A própria luz emitida pela tela do computador e as múltiplas imagens das pessoas participantes da reunião, acabam por gerar a sensação de exaustão ocasionada pelas vídeo chamadas”.

“Pessoas que já têm algum quadro de saúde mental podem ser mais propensas a desenvolver o zoom fatigue (termo em inglês, que faz menção a um dos mais populares programas de videoconferências), em razão de já haver uma alteração no funcionamento cognitivo da pessoa”, detalha o especialista: “Uma questão que pode gerar também um maior desgaste é a qualidade ruim da chamada que gera atrasos nas falas ou imagens distorcidas que mais uma vez geram um esforço maior para que o cérebro consiga fazer toda codificação das mensagens que precisam ser absorvidas”.

Ele acrescenta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que saúde não é apenas a ausência da doença, mas o bem estar biopsicossocial e, algumas pesquisas têm apontado para o fator espiritual. E enfatiza: “Diante disso, é importante que neste momento em que o avanço tecnológico foi trazido a ‘fórceps’ por esta pandemia, cada um de nós estabeleça rotinas mais saudáveis; a prática esportiva pelo menos três vezes por semana com média de 45 minutos, produz em nosso organismo a liberação de neurotransmissores como serotonina e endorfina, responsáveis pela sensação de bem estar, uma rotina adequada de sono também é extremamente importante; saber colocar limites para execução do trabalho e tempo de descanso, uma vez que estamos trabalhando em casa mas não podemos permitir que o trabalho ocupe mais tempo do que anteriormente; praticar um hobbie também é outro fator que tem potencial para nos auxiliar a enfrentar este momento de uma forma mais adequada”.

Responder