Edição 327Abril 2022
Quinta, 26 De Maio De 2022
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Publicado em 28/01/2022 - 3:37 pm em | 0 comentários

Isabela Carrari/Secom-PMS

Casa do Trem Bélico é reinaugurada com exposição sobre José Bonifácio

Relevância da edificação para a história do Brasil

Casa do Trem Bélico é reinaugurada com exposição sobre José Bonifácio

A Casa do Trem Bélico, no Centro Histórico de Santos, foi reinaugurada hoje, dentro da programação dos 476 anos da cidade, com tour guiado pelo personagem Zé Corneteiro, um soldado que conta histórias relacionadas ao equipamento a todos que frequentam o espaço. Os visitantes já podem apreciar a exposição em homenagem ao santista José Bonifácio de Andrada e Silva, instalada no saguão do prédio em comemoração à reabertura do equipamento e ao Bicentenário da Independência.

Pelo papel na história militar do país, a Casa do Trem Bélico faz parte do projeto turístico Circuito dos Fortes, abrangendo a visitação nos fortes existentes na região metropolitana da Baixada Santista. O local é parada da Linha Turística do Bonde, que apresenta aos passageiros os edifícios históricos do Centro da cidade.

Durante a cerimônia, a vice-prefeita Renata Bravo destacou a relevância da edificação para a história do Brasil: “As pessoas que frequentam a Casa do Trem Bélico aprendem mais sobre a história do País e entendem o motivo desse local ser tão importante. Dom Pedro I frequentava esse espaço e aqui fazia planos para a Nação, então esse equipamento carrega uma trajetória muito rica”.

A secretária de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo, Selley Storino, salientou o papel do edifício no projeto de revitalização e ocupação do Centro Histórico: “Além de demonstrar esse cuidado que temos com o patrimônio histórico e cultural de Santos, a Casa do Trem também vem a ser muito importante enquanto equipamento turístico, porque contribuirá com a permanência do público nessa região”.

O secretário de Cultura Rafael Leal explicou que o equipamento será ocupado por diferentes intervenções culturais, como acervos itinerantes e exposições, durante o ano todo: “A ideia é ocupar o Centro, então esse edifício volta, agora, a ser esse grande equipamento de turismo cultural e de entretenimento, que vai oferecer uma série de atividades aos visitantes”.

A intervenção, a cargo da Secretaria de Infraestrutura e Edificações, contemplou restauração das fachadas; recomposição de portas e janelas; reforma do telhado e beiral; limpeza e recuperação da rampa, gradis e escada caracol interna.

O vidro da cobertura, que interliga o prédio principal ao anexo, foi trocado; o piso e o teto de madeira, encerados; a iluminação externa e interna, substituída. A obra incluiu também a implantação de infraestrutura para sistema de monitoramento por câmeras e remodelação da calçada no entorno.

Com projeto assinado pelo arquiteto Ney Caldatto e serviços executados pela Construtora Tecnibrás, o restauro da Casa do Trem foi realizado com R$ 798 mil, recursos do governo do estado, por meio do Dadetur.

A visitação gratuita pode ser feita de terça a domingo, das 11 às 17 horas. O equipamento cultural obedece a todos os protocolos do Plano SP, disponibilizando totens de álcool em gel para os visitantes, controle de acesso e exigindo o uso de máscara durante a permanência no local.

Os visitantes podem conhecer a exposição “José Bonifácio de Andrada e Silva, cientista: Pesquisador em Química e Mineralogia”, que mostra a atuação do Patriarca como cientista de destaque mundial nas pesquisas químicas e mineralógicas. Além de ter papel decisivo na Independência do Brasil, Bonifácio é o único brasileiro a ter o nome ligado a trabalhos que resultaram na descoberta de um elemento da tabela periódica.

O material exposto é composto de 39 amostras de minerais, sendo que quatro são de minerais descobertos por José Bonifácio de Andrada e Silva, em 1800, quando participava de expedições científicas na Europa. Destas quatro amostras, dois minerais descobertos por José Bonifácio (espodumênio e petalita) foram utilizados em 1817 para o isolamento do lítio.

“Ainda hoje estes dois minerais são utilizados para a industrialização do lítio, que hoje é amplamente usado na tecnologia das construções das baterias que alimentam os nossos celulares”, afirma o professor de engenharia da Universidade Santa Cecília, João Inácio da Silva Filho, responsável pela exposição. Ainda de acordo com ele, em 1863, um cientista da área da mineralogia deu o nome a um novo mineral de “Andradita”, em homenagem a Bonifácio, colocando o Patriarca definitivamente no seleto grupo de grandes cientistas.

Única edificação colonial-militar do gênero no país e prédio público mais antigo de Santos, a Casa do Trem Bélico carrega este nome devido ao sentido popular da palavra “trem”, significando “diversos materiais”. Os trens bélicos eram equipamentos militares necessários às ações de combate e de sobrevivência das tropas e da população local.

De estilo colonial, com características setecentistas portuguesas originais, a Casa do Trem Bélico foi construída no século 17, entre os anos de 1640 e 1656, como um dos edifícios que faziam parte do apoio ao sistema de fortificações da região, guardando equipamentos utilizados para proteção da então Vila de Santos contra ataques de índios e piratas.

Por guardar armamentos, o prédio deveria ficar em local que pudesse estar protegido e próximo de onde fossem utilizadas as munições. Por isso a escolha apropriada da localização junto ao Outeiro de Santa Catarina – abrigo natural – e perto dos quartéis e do Forte Monteserrate (também conhecido como Forte da Vila, Forte da Cidade ou Forte da Praça).

Com 21 degraus de altura e profundidades diferentes, a escadaria externa foi construída de forma a dificultar o acesso de invasores ao prédio, já que o ingresso ao pavimento superior se dava somente por ela. As desigualdades faziam com que os eventuais saqueadores perdessem o equilíbrio e caíssem da escadaria, caso tentassem subir correndo.

O edifício mantém a mesma arquitetura desde 1738. Os batentes em pedra são da época da construção (meados do século 17) e as paredes, com 90 a 95 centímetros de espessura, foram feitas com uma mistura de pedra, cal de sambaqui e óleo de baleia. O telhado, com tribeira (três camadas de telhas), demonstrava poder máximo.

O piso do 1º andar é original, confeccionado com madeira de árvores da região e instalado obedecendo à técnica portuguesa de encaixe, sem parafusos, pregos ou uso de cola.

Patrimônio nacional desde 1940, a Casa do Trem Bélico já funcionou como Tiro de Guerra, escola, seção de alistamento eleitoral, Serviço de Subsistência do Exército e Centro da Juventude. Desde 2009, a edificação transformou-se em uma atração turística do Centro Histórico, recebendo atividades e exposições.

Hoje, o edifício que tem dois pavimentos, com três salões no térreo e dois salões no pavimento superior, está ocupado pela Secretaria de Cultura, que o transformou em local de visitação, com exposição sobre a história do sistema de fortificação da região.

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