Edição 320Setembro 2021
Terça, 26 De Outubro De 2021
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Publicado em 25/03/2021 - 7:01 am em | 0 comentários

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Busca do equilíbrio emocional no Dia Mundial do Transtorno Bipolar

Episódios eufóricos alternados com depressão

Busca do equilíbrio emocional no Dia Mundial do Transtorno Bipolar

O Dia Mundial do Transtorno Bipolar, em 30 de março, foi criado para estimular a busca do equilíbrio emocional por meio de tratamento, visando minimizar os efeitos desse distúrbio, que, entre outras características, é marcado por sintomas relacionados à instabilidade do humor e ao nível de disposição do indivíduo para manter a rotina. A data foi escolhida devido ao aniversário de Vicent Van Gogh, um dos expoentes da pintura pós-impressionista.

Segundo alerta a médica Luciana Mancini Bari, do Hospital Santa Mônica, o objetivo de celebrar a data é chamar a atenção de todo o mundo para os efeitos dos transtornos bipolares sobre a qualidade de vida e o convívio social do paciente: “Tão importante quanto levar informação sobre como lidar com esse distúrbio é trabalhar medidas educativas para eliminar o estigma social a ele associado. Tudo isso em caráter mundial”.

Ela comenta que, ainda que a causa exata do transtorno bipolar não seja esclarecida, pesquisas sugerem que a origem do problema esteja associada a alterações nos níveis de importantes neurotransmissores coordenados pelo cérebro. Esse desajuste seria a base para o surgimento de episódios eufóricos alternados com depressão, a principal característica do distúrbio.

O objetivo da celebração da data é destacar a relevância do incentivo ao diagnóstico precoce e do tratamento. Segundo dados da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), entre 76% e 85% dos portadores de transtornos mentais não têm acesso a nenhum tipo de tratamento.

“O maior problema da ausência de intervenção é que, com o passar do tempo, o paciente acumula significativos prejuízos e incorre no risco de evoluir para desordens emocionais e psíquicas mais graves. Além disso, a falta de suporte adequado para esses pacientes gera implicações sérias no aspecto pessoal, familiar, social e profissional”, avalia.

Dessa forma, falar da relevância da data é primordial para ajudar o paciente na aceitação do distúrbio: “Infelizmente, muitos que têm acesso aos tratamentos ignoram os sintomas e não buscam ajuda. Por tal razão, divulgar conhecimento sobre o transtorno bipolar é de suma importância, pois é preciso esclarecer que é possível contornar o problema por meio de intervenções adequadas”.

Outro ponto importante a respeito do transtorno, e que exige uma investigação diagnóstica precisa, é que os sintomas são muito parecidos com os de outras desordens emocionais, explica Luciana. Segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tanto no Brasil como na esfera global há muitos subsintomas relacionados à doença.

Essa característica faz com que seja necessário um acompanhamento profissional constante para tratar o distúrbio antes que ele evolua para quadros mais graves. Na maioria das vezes, os sinais de bipolaridade podem surgir relacionados à depressão, à esquizofrenia, ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e também à ideação suicida.

A médica afirma que o diagnóstico final de bipolaridade pode ser demorado devido à semelhança dos sinais sugestivos de transtorno com outras doenças. Efeitos colaterais de tratamentos equivocados e falhas da família no fornecimento do histórico comportamental do paciente são fatores que comprometem a confirmação diagnóstica.

“Contudo, o tratamento pode ser feito à base de ansiolíticos e antidepressivos usados para controle de distúrbios emocionais como depressão e ansiedade, que geralmente estão associados à bipolaridade. Combater os sintomas dessas desordens psicológicas ajuda a minimizar os impactos do transtorno bipolar sobre a rotina do paciente”, frisa.

Igualmente relevante é a terapia em grupo ou familiar, visto que o tratamento em conjunto com o paciente ajuda a visualizar soluções para reduzir os conflitos que podem surgir como consequência da bipolaridade. Harmonizar as relações cotidianas e estimular o fortalecimento de vínculos de confiança é essencial para um controle mais eficiente desse transtorno.

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