Edição 322Novembro 2021
Segunda, 06 De Dezembro De 2021
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Publicado na Edição 310 Novembro 2020

Acervo FAMS

Vida dedicada ao café e ao Santos FC

Florival: “Eu tive a oportunidade e a sorte de viver a era Pelé toda, intensamente”

Vida dedicada ao café e ao Santos FC

O corretor de café Florival Barletta deu entrevista ao Programa Memória-História Oral em 5 de outubro de 2019, no Salão Camoniano do Centro Cultural Português de Santos. Suas memórias remetem à infância, ao comércio dos avós no antigo Bairro Chinês, à sua origem luso-italiana e à forte ligação de seu pai com o Santos FC (paixão que o filho também herdou), além de sua trajetória profissional no ramo de café.

Florival Amado Barletta nasceu em Santos, em 15 de outubro de 1936, no bairro da Vila Belmiro. Filho de Florival Barletta e Marília Amado Barletta, tem dois irmãos, Lucília Barletta Polaqui e Murilo Amado Barletta. Os avós portugueses tinham um comércio na Rua São Bento, no tradicional Bairro Chinês, ao lado da Igreja do Valongo. O pai, Florival Barletta, trabalhou no comércio cafeeiro durante muitos anos, vereador em Santos por quatro gestões, candidato a vice-prefeito e a deputado estadual. Quando casou com Marília, em 1935, Barletta pai já iniciava uma vida dedicada ao Santos FC. Foi dirigente em todos os setores do clube, chefiou várias delegações do time em jogos em outros países e culminou exercendo a presidência do Conselho Deliberativo e a presidência em exercício do Santos na gestão Milton Teixeira.

Segundo Amado Barletta, “na época áurea do café na cidade, o Santos FC se dirigia ao comércio cafeeiro para solicitar uma ajuda, e conseguia recursos não só para a aquisição de jogadores, pagamentos de bichos (prêmios em dinheiro aos jogadores), como também para construção de arquibancadas e até instalação de iluminação”.

Sobre sua infância, Amado Barletta conta que foi muito saudável e dedicada aos esportes. Em 1952, com apenas 16 anos, já era vice-campeão santista de voleibol, perdendo a final para o Atlético Santista. Aos 17 anos, mudou para São Paulo, para cursar o científico no Mackenzie. Após retornar a Santos, jogou campeonatos de praia pelo Náutico, Milionários Praia Clube, Vasquinho, Cunha Moreira, Morro de São Bento, Itararé Praia Clube.

Florival Amado Barletta iniciou sua vida política no Santos FC em 1965, como segundo secretário, e a partir de 1966 assumiu como primeiro secretário. Em 1967 e 68 foi diretor geral de esportes do clube, quando chefiou várias delegações em jogos em outros países em plena era Pelé: “Eu tive a oportunidade e a sorte de viver a era Pelé toda, intensamente. O Pelé é meu amigo particular, no nascimento dos meus filhos visitou minha senhora no hospital. A minha avó era palmeirense fanática e ele ia em minha casa na véspera, antevéspera dos jogos e brincava muito com ela dizendo: ‘Olha, vó Lavínia, domingo não tem jeito, vou fazer dois gols no Palmeiras’. E ela então xingava o Pelé de tudo o que era nome e ele saía rindo. E nós temos uma amizade muito grande… Então, chefiar uma delegação do Santos é uma honra para qualquer pessoa que tenha realmente uma, vamos dizer, seja como eu, no mesmo estilo meu. Ou seja, disciplinado, trazendo os relatórios e cuidando da parte organizacional e dos atletas. Eu levei uma equipe em que se destacaram, nacional e internacionalmente, vários jogadores que ocuparam lugar no cenário futebolístico do Santos”.

O depoimento completo de Florival Amado Barletta pode ser acessado no canal oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube pelo link www.youtube.com/c/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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