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Sexta, 04 De Dezembro De 2020
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Publicado na Edição 309 Outubro 2020

Acervo FAMS

Pioneira no judô feminino brasileiro

Danielle: primeira brasileira a conquistar medalha em Mundial

Pioneira no judô feminino brasileiro

A ex-atleta olímpica, atual jornalista e gestora de esportes Danielle Zangrando foi entrevistada pelo Programa Memória-História Oral no dia primeiro de outubro de 2020, no Centro de Memória Esportiva Museu De Vaney. Suas lembranças se referem à infância passada em Santos, no bairro do José Menino, dos tempos de juventude morando no bairro do Campo Grande, sua vida como atleta olímpica de judô e a profissão de jornalista, que exerce atualmente.

Danielle Zangrando nasceu em São Paulo, capital, em 25 de julho de 1979, mas sempre foi criada em Santos. Praticante de judô desde os cinco anos, aos 13 ela já não tinha mais adversárias na sua categoria e foi lutar com gente grande. “A única oportunidade que eu tinha era competir no adulto”, afirma. Aos 16 anos, Danielle tornou-se a primeira brasileira a conquistar uma medalha na história de um Mundial. A façanha foi alcançada em 1995, no Japão, quando foi bronze. Em 1996 Zangrando disputou a sua primeira Olimpíada, em Atlanta (EUA), mas sem sucesso. No Pan Americano de 1999, porém, a redenção: a medalha de bronze em Winnipeg, no Canadá, foi uma das suas maiores glórias.

Antes da Olimpíada de Atenas, em 2004, Danielle viveu um drama pessoal: em 2001, uma cirurgia para hérnia de disco quase a forçou a deixar as competições. Inspirada na conquista do pentacampeonato brasileiro no futebol, especialmente na recuperação do atacante Ronaldo Nazário, que antes do título havia passado pelo drama de contusões e cirurgias no joelho direito, a atleta voltou a competir em 2002 e venceu a seletiva para a Grécia.

Foi medalha de ouro no Pan do Rio de Janeiro em 2007, e se aposentou dos tatames em 2010, pouco após o nascimento de sua filha Lara. Danielle é formada em Direito pela Universidade Metropolitana de Santos e Jornalismo pela Universidade Santa Cecília. Atuou como repórter esportiva pela TV Tribuna, e comentarista de judô pela Rede Globo e ESPN Brasil. Trabalhando como comentarista, a atleta viu o judô nacional conquistar três medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 — ouro com Rafaela Silva e bronze com Mayra Aguiar e Rafael Silva. Foi uma das modalidades que mais renderam pódios ao Brasil no evento, empatada com a canoagem e o vôlei.

O ouro da santista no Pan do Rio em 2007 ajudou a atrair a atenção ao judô feminino, que ficava de lado na época em que ela precisava treinar junto aos atletas da equipe masculina para se manter no peso e lutar na categoria 57 kg. As mulheres só começaram a disputar medalhas nas Olimpíadas de 1992, 28 anos depois dos homens, e o Brasil demorou ainda mais para começar a alocar recursos para a seleção feminina.

Com investimento, uma geração especialmente talentosa se esforçou para equiparar os resultados entre os dois sexos. Dos quatro ouros que o país tem na história do judô nos Jogos, dois vieram de mulheres. “Antes as conquistas eram um pouco solitárias, faltava investimento direcionado para o feminino. Foi começar só em 2006. Quem sabe se viesse desde a minha época, não tivesse levado tanto tempo para ter uma equipe boa como essa dos últimos ciclos olímpicos. Vamos ver se conseguimos manter depois de 2021”, avalia a ex-atleta.

A entrevista completa de Danielle Zangrando pode ser acessada no canal oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube, em www.youtube.com/c/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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