Edição 320Setembro 2021
Sábado, 16 De Outubro De 2021
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Publicado na Edição 320 Setembro 2021

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Exemplo de superação!

Beth Gomes: guerreira, sempre acreditou que poderia vencer as dificuldades

Exemplo de superação!

A atleta paralímpica Beth Gomes deu entrevista ao Programa Memória-História Oral no dia primeiro de julho de 2021, semanas antes de conquistar sua primeira medalha de ouro, nas Paralimpíadas de Tóquio. Em seu depoimento, Gomes lembra sua vida pessoal e nos conta sobre sua brilhante carreira como atleta.

Elizabeth Rodrigues Gomes nasceu em Santos, em 15 de janeiro de 1965, e foi morar com os pais no bairro do Macuco, onde vive até hoje. Cursou o ensino primário no tradicional Colégio Docas de Santos, o “ginásio” (como se chamava à época) no Sesi e o segundo grau no Colégio Objetivo.

Nos anos 1990, Beth Gomes trabalhava como guarda civil e jogadora de vôlei quando, aos 27 anos, foi diagnosticada com esclerose múltipla. Os primeiros sintomas surgiram durante o trabalho, onde sofreu uma queda inesperada, fraturando a tíbia e precisando de cirurgia. Durante a recuperação da cirurgia recebeu o diagnóstico da esclerose múltipla. Mesmo com tratamento, um ano após o diagnóstico soube que não poderia voltar a jogar vôlei.

Desenvolveu então um quadro depressivo que se intensificou por cerca de dois anos, chegando a tentar o suicídio. Inicialmente, por conta da esclerose, Elizabeth andava com o auxílio de muletas. Com a evolução da doença, e um segundo surto, ela perdeu o movimento das pernas.

Não tendo à essa altura nenhum dos pais vivos, encontrou em sua tia apoio para buscar o tratamento para a depressão. Com sua ajuda procurou o Conselho Municipal do Deficiente da cidade de Santos, onde foi apresentada ao basquete de cadeira de rodas, que começou a praticar.

Em 2006 teve um novo surto da esclerose múltipla, que atingiu o lado direito de seu corpo e especialmente seus dedos, que ficaram num formato fechado, dificultando a prática do basquete. Mesmo assim seguiu por um tempo no esporte e descobriu então que poderia competir no atletismo, dividindo-se por quatro anos entre as duas modalidades até finalmente optar apenas pelo lançamento de disco e arremesso de peso.

Em 2017 teve um novo surto que paralisou todo o lado esquerdo de seu corpo, e precisou ter sua classificação como competidora alterada, passando da categoria F54 para F52. No Parapan de Lima, em 2019, bateu pela primeira vez o recorde mundial.

Em 2021 foi a atleta mais velha da delegação brasileira nas Paralimpíadas de Tóquio 2020, competindo aos 56 anos e conquistando a medalha de ouro ao bater novamente o recorde mundial de sua modalidade. Diante de uma coragem indescritível e persistência inigualável, a atleta ficou conhecida como “A Fênix”, pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em combustão e renascia de suas próprias cinzas. Guerreira, sempre acreditou que poderia vencer as dificuldades, quebrar recordes e entrar para a história do esporte brasileiro, como de fato aconteceu.

A entrevista completa de Beth Gomes pode ser vista no canal oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube, no link www.youtube.com/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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