Edição 324Janeiro 2022
Quinta, 27 De Janeiro De 2022
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Publicado na Edição 322 Novembro 2021

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“É preciso acreditar no seu sonho”

Sanderlei: “Dedicação, perseverança e resiliência”

“É preciso acreditar no seu sonho”

O programa Memória-História Oral entrevistou o atleta olímpico Sanderlei Parrela no dia 3 de agosto de 2021, via Plataforma Zoom. Em seu depoimento, Sanderlei nos conta sobre sua infância passada no Jardim Piratininga, em Santos, e sua carreira como atleta de alta performance nas modalidades 400 metros rasos e no revezamento 4X400 metros.

Sanderlei Claro Parrela nasceu em Santos, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em 7 de outubro de 1974. Morou no Jardim Piratininga, bucólico bairro localizado na Zona Noroeste de Santos até os 17 anos, quando foi convidado a treinar atletismo em San Diego, nos Estados Unidos. Aí começou sua carreira como atleta de alto rendimento.

No Campeonato Mundial de Atletismo de 1999, em Sevilha, Sanderlei enfrentou o maior nome da história da prova, Michael Johnson, que obteve na ocasião o recorde mundial. Numa prova com Johnson obteve, à época, o 7º melhor tempo não norte-americano da história. Até hoje esta marca (44 segundos e 29 décimos) é o recorde brasileiro da prova.

Aos 47 anos e atuando hoje como treinador, Sanderlei aponta alguns fatores para que seu recorde persista há mais de duas décadas: “O Sanderlei foi um atleta. Cada um é cada um, mas tem coisa que serve para todos. Não adianta querer correr 400 metros na faixa dos 44 segundos sem ter disciplina, sem abdicar de algumas coisas. Eu aprendi que seu foco está onde está sua energia. Se meu foco está em várias coisas, a energia estará dividida. O atletismo é sua profissão, você precisa se cuidar. O treino não termina na pista, ele continua fora também. Quando atleta, eu fazia alongamento antes de dormir para o treino do outro dia”.

Sanderlei Parrela correu os 400 metros abaixo dos 45 segundos mais de 15 vezes durante a carreira e terminou os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, em quarto lugar, muito próximo da medalha. Com experiência na prova, o treinador vê potencial na nova geração do Brasil, mas acredita que os atletas precisam se doar mais para o atletismo: “Eu vejo que muitos atletas querem ir para a Olimpíada, serem finalistas. Todo mundo quer, mas na hora que você apresenta tudo que é necessário para chegar lá, muitos não entendem. Acham que as coisas vão cair do céu. A carreira do atletismo precisa ser valorizada pelos atletas, ela acaba muito rápido. E quando acaba, não tem mais jeito”, afirmou.

Apesar do tom crítico quanto aos novos atletas, Sanderlei Parrela pediu aos brasileiros que competem os 400 metros em alto rendimento que tenham maior atitude e confiança de que podem bater o recorde da prova: “Sonhe, mas não deixe ficar apenas no sonho. Tire ele da cabeça, coloque no papel e se pergunte qual o caminho que eu preciso trilhar para conquistá-lo. Chegue para o treinador e diga: ‘Eu acredito que sou capaz de alcançar esse resultado. Você acredita? Você pode me guiar nesse caminho?’ O segredo é dedicação, perseverança e resiliência. Pessoas chegaram a dizer que eu não correria os 400 metros nem em 45 segundos. Se eu tivesse dado ouvidos, jamais teria chegado onde cheguei. É preciso acreditar”.

O depoimento completo de Sanderlei Parrela pode ser assistido no canal oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube, em www.youtube.com/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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