Edição 320Setembro 2021
Sábado, 16 De Outubro De 2021
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Publicado na Edição 318 Julho 2021

Acervo FAMS

De político perseguido a advogado

Corvo: “Me desiludi com a política”

De político perseguido a advogado

O advogado Luiz Rodrigues Corvo foi entrevistado pelo Programa Memória-História Oral em 4 de dezembro de 2013, no estúdio da Universidade São Judas (Campus Unimonte). Em seu depoimento, Corvo fala da infância nos bairros do Paquetá e Centro, da sua juventude como militante na política e de como foi eleito vereador e depois cassado pelos seus próprios pares, na Câmara de Santos.

Luiz Rodrigues Corvo nasceu em Santos, em 19 de maio de 1941, e passou a infância nos bairros do Paquetá e Valongo, junto com os pais, comerciantes naquela região. Estudou nos colégios José Bonifácio e Santista, antes de ingressar na Faculdade de Direito de Santos. Sempre esteve engajado com os movimentos estudantis e sindicais, antes de se lançar como candidato a vereador.

Em 1963, com 22 anos, Corvo, então estudante universitário de Direito, filiado ao Partido Republicano (PR), obteve votação expressiva, com 1.734 votos, ficando atrás somente do vereador Fernando Oliva, que registrou 1.739 votos, cinco a mais do que o jovem estreante. Porém, ele acabou sendo cassado pela Câmara no dia 6 de abril de 1964, três dias antes do primeiro Ato Institucional decretado pelo regime militar do governo federal, que sucedeu o período da renúncia do presidente Jânio Quadros e a deposição do seu vice, João Goulart. Corvo foi um dos primeiros políticos cassados no país naquela ocasião.

Ao assumir o cargo, em janeiro de 1964, o PR, partido de Corvo, mantinha uma bancada com dois integrantes (Carlos Morais Carneiro era o outro vereador). O Legislativo era presidido por João Inácio de Souza (PTB), o Joãozinho de Instituto, pai da atual vereadora Telma de Souza (PT). A Câmara contava ainda com os vereadores Oswaldo Justo (PDC), José Gonçalves (coligação PTB-PSD), Matsutaro Uehara (PSP), Aristóteles Ferreira (PSP), Benjamin Goldenberg (PRT), entre outros.

Após ser cassado, em abril de 1965, Corvo acabou sendo preso e levado para o 2º Batalhão de Caçadores de São Vicente, onde permaneceu por cerca de um mês, até ser transferido para a cadeia pública, na Avenida São Francisco. Ali ele ficou detido por mais três meses, até ser solto depois da concessão de um habeas corpus pela Justiça.

“Depois desse episódio e do trauma da cassação, me desiludi com a política, embora nunca tenha deixado de permanecer interessado pelo assunto. Montei um escritório na capital, onde me especializei em advocacia empresarial. E continuo atuando nesta área até hoje”, conta o ex-vereador e hoje bem-sucedido advogado.

Quarenta anos depois de ter tido o seu mandato cassado no primeiro mês de vigência do regime militar, o advogado e ex-vereador teve sua trajetória na política reconhecida pelo Legislativo santista. Em uma sessão realizada na noite de 14 de setembro de 2004, ele retornou ao plenário, desta vez, para receber uma homenagem, viabilizada por meio de uma indicação do vereador Uriel Villas Boas (PCB). Em 1º de abril de 2014, 50 anos após sua cassação, Corvo teve seu mandato devolvido simbolicamente pela Câmara de Santos, por meio de decreto de autoria do então vereador Evaldo Stanislau (PT), em sessão promovida em parceria com a Comissão da Verdade do município.

O depoimento completo de Luiz Rodrigues Corvo pode ser visto no canal oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube, no link www.youtube.com/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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