Edição 309Outubro 2020
Sexta, 30 De Outubro De 2020
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Publicado na Edição 308 Setembro 2020

Acervo FAMS

Vida dedicada ao cristianismo

Sergio Ferreira: primeiro reverendo santista ordenado da centenária Igreja Anglicana de Santos

Vida dedicada ao cristianismo

O reverendo Sergio Ferreira, da Igreja Anglicana de Todos os Santos, foi entrevistado pelo Programa Memória-História Oral em 18 de maio de 2017, no estúdio da Universidade São Judas (Campus Unimonte). Em seu depoimento, Ferreira lembra da infância passada no bairro da Vila Mathias, onde nasceu, a alfabetização na escola Cesário Bastos, os anos passados no seminário, no Rio Grande do Sul, e a volta à Santos para estudar no Colégio Canadá, além de sua vida dedicada ao cristianismo.

Sergio Ferreira nasceu na Santa Casa de Santos em 4 de maio de 1965. Aos 12 anos começou os estudos no seminário claretiano de Esteio (RS), origem de sua formação católica. Formado em Direito, em 2009 foi apresentado à Igreja Anglicana e em maio de 2017 tornou-se o primeiro santista a ser ordenado reverendo no templo localizado no Bairro do José Menino.

O anglicanismo é um segmento do cristianismo e tem origem na Inglaterra, no século XVI. Seu surgimento, assim como a Reforma Protestante na Alemanha, ajudou a levar ao rompimento da coroa inglesa com a Igreja Católica Romana. A religião se tornou oficial no Reino Unido e hoje reúne fiéis por todo o mundo. Em Santos, a igreja foi fundada em abril de 1918 e fica na Praça Washington, em frente ao Orquidário Municipal.

Segundo o reverendo Ferreira, a Igreja Anglicana é muito diferente da Igreja Católica Romana. “Ela não tem um governo central. Ela tem princípios básicos e uma comunhão anglicana, que é uma administração totalmente independente. Nós não somos, aqui em São Paulo, subordinados ao arcebispo de Londres. Nós apenas o reconhecemos como líder da primeira diocese, mas ele não tem poder administrativo e ideológico”.

Ainda segundo o reverendo, há três fatores principais que fizeram com que o anglicanismo caminhasse junto com a modernidade: “O primeiro deles é permitir que os padres se casem. O segundo foi ordenar as mulheres, ou seja, dar direito de poder eclesial a elas dentro da Igreja. Dessa forma elas podem ter o cargo de diácono, exercer a função de um padre e pode ser bispo também. Isso não é uma modinha de agora, porque a Inglaterra tem tradição de ter fortes mulheres no poder. E o terceiro fator, dialogar com os direitos dos homossexuais”.

Sobre o casamento homoafetivo, Ferreira conta que já realizou dois: a cerimônia religiosa entre dois idosos, que estavam há 25 anos juntos, casados com o reconhecimento da Justiça, mas que ainda não tinham tido o direito de casar na igreja; e o de duas mulheres, em Guarujá. Para o reverendo, o casamento deve ser realizado independente do gênero, mas baseado no amor do casal e da fé que ambos tenham: “Primeiro porque sempre existiram casais homoafetivos e porque acredito ser importante ressaltarmos qualquer manifestação de amor, uma vez que essa é a mensagem principal de Jesus Cristo e estamos vivendo um momento de muito ódio”.

A entrevista completa de Sergio Ferreira pode ser acessada no canal oficial do Programa Memória-História Oral no Youtube, em www.youtube.com/c/programamemoriahistoriaoral

Conheça o trabalho desenvolvido pela Fundação Arquivo e Memória de Santos: acesse o site www.fundasantos.org.br

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