Edição 311Dezembro 2020
Sábado, 23 De Janeiro De 2021
Editorias

Publicado na Edição 256 Maio 2016

Coerência. E basta!

Luiz Carlos Ferraz

Ainda que a máxima maquiavélica, de que os fins justificam os meios, não seja a panaceia para a mais exacerbada das democracias, não é possível discordar que, após o colossal exercício para subverter uma decisão obtida de forma legítima nas urnas, controversamente anunciada como “golpe”, o Brasil dá sinais de pulso para enfrentar o segundo semestre deste ano perdido – como se convencionou classificar 2016. O país tem jeito e vai sair da crise, acredite! Afinal, após uma disputa polarizada, o placar aparenta servir tanto às comemorações de alguns como ao desespero de outros, o que não é tão simples assim nesses dias em que o ânimo popular tende a acomodar-se, mas conforta o fato de prevalecer no ar o sentimento do agora vai, como se enfim o mal maior da Nação, a corrupção, fora extirpada do poder, o que é notório e desnecessário maniqueísmo, pois tenta jogar para debaixo do tapete o entendimento mais comezinho de que ela é e, obviamente, sustenta o sistema – o que pode ser sintetizado no bordão do inesquecível personagem anisiano: sou, mas quem não é! Neste sentido, escolhendo fortuitamente algum aspecto do governo interino, tal qual aquele papagaio do realejo, o ministério de notáveis do presidente Michel Temer é uma afronta ao povo. Nada menos que oito dos curiosamente intitulados notáveis tiveram seus nomes citados na famigerada Operação Lava Jato. São sujos, são eles, Geddel Vieira Lima, Romero Jucá, Henrique Eduardo Alves, Bruno Araújo, Ricardo Barros, Raul Jungmann, Eliseu Padilha e José Serra. Ou seja, por meio da penada amiga, já têm garantido o foro privilegiado para livrar-se da ação do juiz Sérgio Moro, como tentou sem sucesso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cidadão exige o mínimo de coerência. Covardia é o que menos se espera dos ministros da Suprema Corte.

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