Edição 319Agosto 2021
Quarta, 22 De Setembro De 2021
Editorias

Publicado na Edição 243 Abril 2015

Atestado de bobo

Luiz Carlos Ferraz

Embora as recentes manifestações de rua reflitam de alguma forma o descontentamento popular, não é possível negar que toda a organização é orquestrada pelo pensamento radical à direita deste mal-ajambrado espectro ideológico nacional. Afinal, duas questões que têm alavancado a barulheira não deixam dúvidas sobre o perfil absolutamente antidemocrático, que se vale do apoio da minoria que ainda não se convenceu que foi derrotada nas urnas, quais sejam: o impeachment da presidente da República – legitimamente eleita pelo voto e sobre quem não existe (pelo menos até agora) qualquer procedimento investigatório acerca de eventual prática de corrupção ou ato de improbidade administrativa, o que poderia ter o condão de exigir investigação e desaguar no seu afastamento… – e a intervenção militar para conduzir os destinos da Nação. De tão insanas, tais propostas são motivo de riso à inteligência brasileira, ao mesmo tempo em que, a contrario sensu, pelo estrago que podem causar às instituições (pela insistência e persistência com que esses grupos organizados estão mobilizando a onda…, como se admite, de descontentamento), não é possível desprezar a voz que vem das ruas sem apresentar e implantar com urgência políticas públicas consistentes para manter a economia gerando bem-estar, emprego, qualidade de vida, ao mesmo tempo em que se implantam mecanismos de controle e punição para extirpar a maldita cultura da corrupção que impregna a sociedade brasileira. É o mínimo que se espera do governo federal – aliás, também dos governos estaduais e municipais, pois são deficientes (e duvidosos) os serviços públicos prestados em inúmeros segmentos da administração pública, seja direta ou indireta… E se as soluções não chegam na velocidade exigida é em função de que sofremos efetivamente os reflexos de uma crise, real ou artificial, mas que atinge de forma generalizada países de todos os continentes do planeta. Desconhecer os megainteresses deste amplo tabuleiro internacional é deixar-se conduzir de forma irresponsável, produzindo e assinando embaixo o próprio atestado de bobo.

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