Edição 273Outubro 2017
Quinta, 23 De Novembro De 2017
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Publicado na Edição 259 Agosto 2016

Sandra Netto

Potencial para ser protagonista!

Santos: estimular a atividade da construção civil

Potencial para ser protagonista!

A construção civil, mesmo sendo uma das grandes afetadas pela retração atual, tem o potencial de ser protagonista de uma retomada econômica no País. Para começar a desenhar essa saída, uma mudança na cultura empresarial parece ser necessária, com a estruturação de políticas adequadas de controle interno e políticas rígidas de compliance para afastar o risco de cair nos mesmos abismos de corrupção testemunhados ultimamente.

Essas questões, entre outros assuntos relacionados a cadeia produtiva do concreto e o setor da construção civil, foram discutidas no 10º Concrete Show South America, realizado de 24 a 26 de agosto, no São Paulo Expo (antigo Centro de Exposições Imigrantes), na capital paulista. O evento teve a participação mais de 500 marcas nacionais e internacionais de mais de 150 segmentos da construção civil.

No intuito de ajudar as empresas do setor a construir um ambiente de negócios mais transparente, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em parceria com o SESI Nacional preparou dois guias de orientação que servem de referência para entidades e empresas criarem seus próprios modelos de controle interno, assim como melhor preparar as suas participações em concorrências públicas.

“O Guia de Ética e Compliance para Instituições e Empresas da Construção Civil é destinado à prevenção e traz as mais modernas premissas e iniciativas de compliance, alinhadas aos padrões internacionais, que orientam como melhorar o controle interno do setor”, explica o presidente da CBIC, José Carlos Martins. O outro documento compilado é o Guia da Conduta Concorrencial, que traz conceitos e medidas para que as empresas saibam como elaborar a participação para disputar concorrências, fortalecendo a defesa da transparência e a livre concorrência.

“É preciso resgatarmos valores que foram esgarçados e criar uma cultura de tolerância zero contra a corrupção e a prática de desvios como premissa da vida em sociedade. As empresas precisam fortalecer e aprofundar seus mecanismos de controle interno e rever a forma como se dá o relacionamento com o poder público, impondo um novo paradigma. Por outro lado, Executivo, Legislativo e Judiciário precisam rever práticas hoje consagradas e que se tornaram verdadeiras janelas de oportunidade para a prática de desvios”, afirma o presidente da CBIC. Um dos pontos para o começo da estabilização do setor está no destravamento de projetos nas modalidades de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões e condições financeiras mais atrativas para investidores.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, lembra que além de medidas para o estímulo da atividade da construção civil também devem ser pensadas soluções para o comércio de materiais: “O medo do desemprego tem postergado reformas nas moradias, responsável por 50% da utilização de materiais de construção. De toda forma, a indústria de materiais requer uma política cambial que estimule exportações e não permita importações a preços aviltantes. Tão ruim como um real sobrevalorizado é a alta flutuação do câmbio, que além de não dar sinais importantes aos exportadores, afugentam o investimento externo. Já o mercado das construtoras depende de crédito imobiliário em condições favoráveis e a um programa consistente de obras de infraestrutura e de moradia popular com algum subsídio”.

Para o presidente da CBIC, o reaquecimento da construção civil e, consequentemente, da economia brasileira está na combinação de uma gestão focada no controle do gasto e da melhoria do ambiente de negócios. “São dois vetores importantes: o resgate da credibilidade do País, por intermédio de medidas e reformas estruturantes dedicadas ao controle e qualificação do gasto público, e um esforço efetivo para o desencadeamento de projetos nas modalidades de concessões e parcerias público-privadas”.

Já o diretor titular do departamento da indústria da construção (Deconcic) da Fiesp, Carlos Eduardo Auricchio, salienta a importância de um modelo financeiro mais atrativo: “A retomada dos investimentos em infraestrutura e desenvolvimento urbano devem ser prioritárias, para isso é fundamental a participação do setor privado em projetos públicos, por meio de modelagem financeira mais atrativa, incluindo garantias, retornos e contrapartidas, bem como o aperfeiçoamento da segurança jurídica dos contratos.