Edição 296Setembro 2019
Sábado, 21 De Setembro De 2019
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Publicado na Edição 286 Novembro 2018

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Mitos e verdades sobre o estrabismo

Crianças com Down têm mais risco de ter estrabismo

Mitos e verdades sobre o estrabismo

Algumas pessoas apresentam problemas nos músculos que controlam os movimentos oculares e, assim, os olhos podem se desviar para dentro, para fora, para cima e para baixo. A falta de tratamento tende a levar ao estrabismo, um distúrbio que atinge de 2 a 5% das crianças e que muitas vezes afeta a visão de forma irreversível.

O oftalmopediatra Marcela Barreira, especialista em estrabismo, listou alguns dos principais mitos e verdades sobre a enfermidade:

Estrabismo é simplesmente uma questão estética. Mito. Ao contrário do que se possa pensar, o estrabismo é uma condição que precisa de tratamento, pois pode afetar a visão de forma irreversível quando a criança desenvolve a ambliopia, mais conhecida pelo termo “olho preguiçoso”.

Estrabismo também pode ser operado em adultos. Verdade. O estrabismo pode ser corrigido por meio de cirurgia em bebês, crianças e adultos. Lembrando que o estrabismo causado pela hipermetropia não tem indicação cirúrgica.

Tampão trata estrabismo. Mito. Essa é uma dúvida muito comum no consultório. O tampão não é usado para tratar o estrabismo. Ele é usado para prevenir a ambliopia, mais conhecida como olho preguiçoso. O que ocorre é que a criança com estrabismo tende a usar mais o olho saudável em detrimento do olho que apresenta o desvio. Isso pode diminuir ou afetar a acuidade visual, levando a diferenças importantes na visão. O tampão é usado para treinar a visão dos dois olhos e para prevenir a ambliopia. O único tratamento para o estrabismo é cirúrgico ou com lentes corretivas, no caso do estrabismo causado pela hipermetropia.

Todo tipo de estrabismo precisa pode ser operado. Mito. Quase todos os tipos de estrabismo podem ser operados. Entretanto, o estrabismo causado pela hipermetropia não tem indicação cirúrgica. Isso porque o olho se desvia devido ao grau deste erro refrativo. Assim, quando o grau é corrigido por meio das lentes, o desvio desaparece. Portanto, nestes casos, não há indicação cirúrgica, mas sim indicação para uso de lentes corretivas. É chamado de estrabismo acomodativo.

Crianças com síndrome de Down têm mais risco de ter estrabismo. Verdade. Cerca de 20% das crianças com Down apresentam o estrabismo. A maior parte, cerca de 40%, apresenta o estrabismo acomodativo causado pela hipermetropia.

Em bebês, o desvio dos olhos é normal. Mito. Até os 3 meses, os bebês podem apresentar algum grau de imaturidade visual e apresentar algum desequilíbrio variável no alinhamento dos olhos. Mas, desvios bem estabelecidos e fixos desde o nascimento não mudam e indicam o estrabismo. Portanto, o ideal é levar o bebê em um oftalmopediatra para uma avaliação mais apurada.

Estrabismo em adultos pode ter relação com doenças neurológicas. Verdade. O estrabismo que aparece na vida adulta pode ter várias causas, dentre eles como uma manifestação ocular de uma doença neurológica, por exemplo. Ou ainda de doenças musculares, da tireoide, entre outras.

Estrabismo pode ter relação com atrasos no desenvolvimento. Depende. Na maioria dos casos não há nenhuma relação. Entretanto, o chamado estrabismo divergente constante, ou seja, aquele em que a criança desvia o olho para fora, em direção à orelha, de forma constante, precisa ser investigado. Isso porque pode estar associado à paralisia cerebral ou a outras complicações no parto.

O uso de óculos trata estrabismo. Depende. O uso de óculos trata o estrabismo quando ele é considerado acomodativo e quando há desvio por embaçamento visual, principalmente causado pelo astigmatismo. O uso de óculos também trata o estrabismo causado pela hipermetropia. Nos demais casos, o tratamento padrão é a cirurgia para corrigir o desvio.