Edição 310Novembro 2020
Sexta, 27 De Novembro De 2020
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Publicado na Edição 309 Outubro 2020

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Esquizofrenia. Pandemia pode dificultar tratamento

Isolamento social compromete diagnóstico precoce e adesão

Esquizofrenia. Pandemia pode dificultar tratamento

Estudo mostra que a pandemia do novo coronavírus tende a piorar o cenário da esquizofrenia. Além de dificultar o diagnóstico, potencializado pelo isolamento social, pode aumentar o risco de recaídas em pacientes com esquizofrenia, pois o estresse e restrições resultantes da quarentena podem acarretar a piora dos sintomas psiquiátricos que, quando não estabilizados, têm mais chances de resultar em novos surtos.

Dados de pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 130 países, mostra que a pandemia interrompeu os serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países em todo o mundo. Mais de 60% relataram interrupções nos serviços de saúde mental para pessoas vulneráveis.

Um dos principais obstáculos para tratar a esquizofrenia é a adesão ao tratamento. Segundo especialistas, cerca de 2/3 dos pacientes com transtornos psicóticos não tomam a medicação corretamente. Em um período de cinco anos, aproximadamente 80% dos indivíduos apresentam recaídas após o primeiro episódio da doença. As recaídas múltiplas culminam em uma perda progressiva da funcionalidade. Dessa forma, evitar recaídas desde o princípio da doença é uma prioridade no tratamento, e um potencial fator modificador da doença.

“Pessoas com essa condição, desde que diagnosticadas e tratadas corretamente, podem levar uma vida socialmente ativa, trabalhar, estudar, casar, ter filhos e serem independentes como qualquer outra. A questão é que em alguns casos, por preconceito, medo ou falta de conhecimento, as pessoas acabam não buscando ajuda médica especializada, o que pode dificultar o diagnóstico e comprometer o tratamento”, alerta o médico psiquiatra Cristiano Noto, da Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A esquizofrenia é uma condição crônica ainda muito estigmatizada que afeta cerca de 1% da população mundial. No Brasil, atinge cerca de 1,6 milhão de pessoas. Consiste em um transtorno mental complexo caracterizado por distorções no pensamento, percepção, emoções, linguagem, comportamento e consciência do “eu”.

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