Edição 287Dezembro 2018
Sexta, 14 De Dezembro De 2018
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Publicado na Edição 276 Janeiro 2018

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Impacto da neuroarquitetura

Impacto da neuroarquitetura

Preparar o ambiente corporativo considerando aspectos que humanizem o espaço é uma demanda crescente na área da arquitetura, fazendo da neuroarquitetura (“impacto do espaço físico no nosso cérebro”) uma das principais tendências em 2018. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram números alarmantes de pessoas sofrendo de depressão e ansiedade no ambiente de trabalho. “É hora de se preocupar com essa humanização e procurar amenizar o sofrimento das pessoas no ambiente de trabalho”, afirma a arquiteta Priscilla Bencke, especialista em neuroarquitetura e projetos corporativos.

Para ela, as empresas investirão cada vez mais em ambientes que ajudam a aumentar a produtividade. “Empresas que estavam mais retraídas estão solicitando projetos de novas sedes e espaços físicos. Isto indica que o ano está começando com um espírito diferente, de muita transformação e ideias sendo colocadas em prática”, avalia Priscilla, ao elencar alguns conceitos da neuroarquitetura.

Ambientes mais flexíveis. Segundo Priscilla, ambientes e mobiliários “mais soltos”, com menos elementos sob medida, significam ambientes para múltiplas funções, como uma copa que pode servir de descompressão para os colaboradores; ou uma sala de espera que sirva também como sala de reunião. A própria tecnologia, como o wi-fi, tem auxiliado nessa integração permitindo mobilidade nos ambientes.

Espaços compartilhados. A iniciativa de compartilhamento dos locais de trabalho com muitos co-workers dividindo espaços para trabalhar tem crescido e ganhado adeptos no mundo todo. “Não mais mesas fixas, para um só funcionário”, ressalta a arquiteta. As empresas com colaboradores que viajam muito, por exemplo, podem ocupar as mesas – que ficam vazias e ociosas – deslocando-as para uso de outros profissionais.

Praticidade. “Os escritórios estão com uma tendência visual diferente para 2018 e devem mudar para um estilo mais industrial”, destaca Priscilla. Isso quer dizer que os projetos corporativos terão as instalações mais aparentes: “Nem o forro estão colocando nos projetos das empresas, para que haja condições das mudanças”.

Áreas reduzidas. O desenvolvimento de grandes sedes corporativas no exterior tem cada vez menos a presença de salas enormes de reuniões. “Elas são importantes e as reuniões entre os colaboradores devem ocorrer porque é desses encontros que surgem grandes ideias. Só que elas acontecem hoje em ambientes mais alternativos e até compartilhados com outras áreas, como numa sala do café ou realizada em mobiliários soltos, que permitem juntar as cadeiras para uma conversa. O layout tradicional está sendo modificado inclusive por conta da tecnologia, já que podemos fazer reuniões digitalmente”, avalia.

Bem-estar do ser humano. Essa humanização já vem ocorrendo, observa a arquiteta, pois grandes lideranças de grandes corporações já entendem que as pessoas, quando se sentem bem, produzem mais e melhor. O resultado é um aumento de produtividade para a empresa e um retorno financeiro quando se busca o bem-estar psicológico e mental das pessoas, ajudando a diminuir o estresse no local de trabalho.

Ela avalia também a importância de os executivos olharem mais para essas questões psicológicas, uma vez que o ambiente tem ligação direta com o comportamento e as emoções das pessoas. Para a arquiteta, a inclusão de elementos naturais, a presença de vegetação ou um jardim, a valorização de uma iluminação natural, podem contribuir para um ambiente de trabalho mais acolhedor.

“As pessoas não querem ser vistas mais como máquinas”, sintetiza Priscilla: “Mesmo em grandes empresas é possível ter algo personalizado. E isso já nasce no projeto, pois o profissional de arquitetura com esse foco mais humanizado faz imersão na empresa, conversa com as pessoas e descobre as necessidades de cada uma para fazer um ambiente que possa melhorar as questões psicológicas desses profissionais”.