Edição 275Dezembro 2017
Segunda, 18 De Dezembro De 2017
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Publicado na Edição 257 Junho 2016

Divulgação

A um passo de se tornar Patrimônio Mundial!

Igreja de São Francisco no conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha

A um passo de se tornar Patrimônio Mundial!

Projetado em 1940 em torno de um lago artificial, o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, é candidato a ser declarado Patrimônio Mundial da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A aprovação do dossiê foi confirmada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O conjunto chama atenção por sua beleza apresentada nos jardins criados por Roberto Burle Marx e nas obras com formas arrojadas, que exploram o potencial plástico do concreto, concebidas pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com colaboração do engenheiro Joaquim Cardozo, painéis de Cândido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti.

O dossiê de candidatura, com mais de 500 páginas, foi entregue pela Prefeitura de Belo Horizonte ao Iphan em dezembro de 2014 e em setembro de 2015 uma missão de avaliação técnica do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) visitou o local. A eleição da Pampulha acontecerá em julho, em Istambul, na Turquia, durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial.

Formado pela Igreja de São Francisco de Assis, a Casa de Baile, o Iate Tênis Clube, o Museu de Arte da Pampulha (antes Cassino), a residência de Juscelino Kubitschek, o espelho d’água e a orla da Lagoa no trecho que os articula, todo o conjunto foi tombado pelo Iphan em 1997, sendo a igreja, incluindo suas obras de arte, tombada em 1947, como o primeiro monumento moderno a receber proteção federal no país.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da Pampulha foi inaugurado em 1943, quando Juscelino Kubitscheck era prefeito de Belo Horizonte. Além de Oscar Niemeyer, o projeto contou com a participação do paisagista Roberto Burle Marx e possui painéis de Cândido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti.

As formas curvas e as qualidades plásticas do concreto armado que compõem as construções da Pampulha representam a materialidade de um momento histórico para a arte e a arquitetura. Nessa época, ocorre no Brasil uma intensa produção cultural com novas linguagens de expressão arquitetônica, impulsionada pelas ideias revolucionárias e vanguardistas do modernismo, que influenciou as gerações posteriores, no Brasil e no mundo.

A inscrição foi proposta pelo complexo representar uma obra-prima do gênio criativo humano, intercâmbio de valores humanos e ser um exemplar excepcional de um conjunto arquitetônico. O próprio Niemeyer sempre apresentou o Conjunto da Pampulha como uma de suas obras mais importantes.

 As magníficas obras de Oscar Niemeyer

Oscar: artista revigorado

 Com 104 anos bem vividos e uma obra surpreendentemente grande e duradoura, Oscar Niemeyer foi estudado, analisado, criticado e historiado por um significativo número de autores. Niemeyer é um artista pleno do século XX, e que chegou ao XXI revigorado, produzindo arquitetura e promovendo saudáveis polêmicas.

Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro em 1907. Em 1925, quando os arquitetos Gregori Warchavchik e Rino Levi publicaram seus respectivos artigos fundadores de uma discussão acerca da arquitetura moderna no Brasil, ele estava com 18 anos e ainda cursava o ensino secundário. Em 1929, quando Le Corbusier proferiu suas primeiras palestras no Rio de Janeiro, Niemeyer estava ingressando na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1936, quando Lucio Costa divulgou Razões da Nova Arquitetura, Niemeyer era apenas um arquiteto recém-formado e dava início a sua história profissional.

Três obras foram fundamentais para que Niemeyer, rapidamente, alçasse a uma condição de destaque no meio arquitetônico: a sede do Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP), no Rio de Janeiro (1936-43); o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York (1939); e o conjunto da Pampulha, em Minas Gerais (1940-44). Estas obras foram acompanhadas de competentes estratégias de divulgação e importantes discussões que exigiram explicitações das opções projetuais. Niemeyer esteve sempre à frente dos debates.

Lucio Costa, que foi seu mestre e tutor, anos depois afirmou que Niemeyer “soube estar presente na ocasião oportuna e desempenhar integralmente o papel que as circunstâncias propícias lhe reservavam”.

Pampulha, na capital mineira Belo Horizonte, resultou de um empreendimento promovido pelo poder público e, no caso particular da Igreja de São Francisco de Assis, foi acompanhada de forte polêmica, particularmente centrada na surpreendente exuberância das formas adotadas. Mas foi com a construção de Brasília, em 1960, que Niemeyer teve seu nome definitivamente consagrado na história da arquitetura.